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Mistério nos Cinco Picos de Rozan

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1 Mistério nos Cinco Picos de Rozan em Qui Mar 21, 2013 1:58 am


O silêncio... A escuridão. Nada sentia, nenhum cheiro inalava, absolutamente nada falava. Já havia perdido a noção de quanto tempo encontrava-se naquele estado – onde estava? A paz o preenchia internamente ao passo que os pensamentos encontravam-se vazios – ironia? Em dado momento, uma voz começou a surgir de algum lugar. Era extremamente baixa, inaudível, mas aos poucos ganhava volume e intensidade. Com ela, o ruído firme de correntes d’água se chocando contra rochas também ganhava destaque, assim como o peso violento de algo se chocando contra as costas, ombros e cabeça.

_Shiryu... Shiryu! Shiryu, preciso da sua ajuda...

E então, ele abriu os olhos. De início, o choque visual causado pela luminosidade daquela tarde de verão o fez esquivar um tanto para o lado, erguendo seu braço direito e o posicionando a frente do rosto. Assim, desfizera a forma de triângulo que se desenhava da junção da ponta de seus dois polegares erguidos enquanto mantinha uma palma da mão sobre a outra. Mantinha, entretanto, as pernas cruzadas sentado sobre uma rocha larga e plana, posicionada exatamente abaixo da queda d’água de uma imensa cachoeira, a qual seguramente tem mais de cinquenta metros de altura. Com o tempo, voltava a si e já conseguia focar o olhar naquela bela jovem de pele branca como o leite, suave e macia como a seda, de olhos serenos e tenros como os de uma criança e cabelos longos e negros como a morte. Esta vestia um ifú de cor lilás em seda, assim como um par de sapatilhas pretas.

_Shunrei, o que faz aqui? – mesmo que não tenha soado muito elegante, de forma alguma quis parecer ofensivo com a pergunta. Apenas estava ainda um tanto desorientado por ter sua meditação profunda abruptamente interrompida.

_Desculpe interromper a sua meditação Shiryu, mas é que eu tenho certeza que vi um homem se esgueirando pelas montanhas próximas e não encontro o Mestre Ancião em nenhum lugar! Não sei mais o que fazer?! – ela juntava ambas as mãos frente ao tórax entrelaçando os dedos enquanto falava, aflita.

_Acalme-se Shunrei! Me diga onde viu este homem... – Shiryu ergueu ambas as pernas, juntas e semiflexionadas, enquanto deitava o corpo na rocha, literalmente mergulhando embaixo das águas da cachoeira, e apoiava as pontas dos dedos acima dos ombros para sustentar-se, finalmente saltando à frente e colocando-se de pé em instantes.

Shiryu nem mesmo se preocupou em vestir a parte de cima de suas vestimentas, resumindo-se a acompanhar Shunrei tão rápido quanto ela conseguia conduzi-lo por entre as trilhas em meio às montanhas dos Picos Sagrados de Rozan. Seus longos cabelos iam secando ao sol ao passo que filetes d’água escorriam sobre o dragão tatuado em suas costas. Em pouco menos de três minutos de corrida, eles já estavam nas proximidades da humilde cabana em que residiam os três desde que Shiryu e Shunrei eram crianças. Quando a avistaram fizeram uma pausa, ocultando-se atrás de uma imensa rocha. Shunrei, interpelada por Shiryu, apontava para a direção em que o desconhecido tinha ido, e de onde tinha vindo. O Dragão afanou carinhosamente a mão nos longos cabelos da jovem e lhe desferiu um singelo sorriso, seguido de um movimento de cabeça fazendo sinal positivo.

_Fique aqui! Eu vou verificar se há alguém nas proximidades e em instantes retorno, quando me certificar que é seguro.

_ Certo, mas tome cuidado... – lhe respondeu a bela Shunrei, encolhendo-se atrás da rocha.

“Se for um cavaleiro, ele pode ser fraco suficiente para ter uma cosmo-energia tão fraca a ponto de eu não tê-lo percebido, ou habilidoso o suficiente para tê-lo escondido com excelência. É melhor tomar cuidado...” - pensava o Dragão.

Aquele lugar parecia ter sido talhado à mão pelos Deuses. Montanhas imensas, algumas interconectadas, outras não, com passagem de água e o verde de árvores e gramados em algumas de suas partes. Os picos chegavam a alturas vertiginosas, mesmo para quem os observasse de baixo para cima. O local em que se encontravam estava muito mais próximo do topo do que da base, e poucas pessoas sabiam chegar até ali.

-...

Passos lentos e ritmados eram desferidos, mas sem emanar qualquer ruído que fosse ao contato de suas sapatilhas com o piso arenoso daquela parte da montanha. Shiryu parecia driblar até mesmo o vento enquanto se locomovia em direção a um emaranhado de troncos e folhas – espécie de bosque de pequeno porte recheado de árvores com aproximadamente doze metros de altura, em média -, quando então, finalmente, pôde perceber uma presença. Selou o punho direito junto à cintura enquanto se aproximava. Parou aproximadamente a dez metros de distância do local, e provocou:

_ Saia daí ou eu, Shiryu de Dragão, serei obrigado a lhe tirar à força!

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2 Re: Mistério nos Cinco Picos de Rozan em Qui Mar 21, 2013 2:18 am

Alexandre

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Mesmo apesar de não ter quaisquer conhecimentos de Cdz, consegui perceber um pouco do texto. Adorei a escrita. Pormenorizada e bela. Consegui imaginar tudo na minha cabeça com perfeição Very Happy

Gostei muito portanto.


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"The one thing worse than death is to avert your eyes from it. Look straight at the people you kill. Don't take your eyes off them for a second. And don't ever forget them, because I promise that they won't forget you."
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3 Re: Mistério nos Cinco Picos de Rozan em Qui Mar 21, 2013 10:58 pm

Liked, e podes considerar isso uma ótima coisa já que sou perito em CDZ sir Muito boa escrita e descrição, passou com tranquilidade e habilidade as personalidades dos personagens 10/10 sir


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